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60 anos sem Cândido Portinari, o artista do “Brasil real”

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Uma ironia do destino como se diz por aí. Falecer de complicações derivadas daquilo que ele mais amava. Através de suas pinturas, o artista denunciava a extrema pobreza nas telas de “Criança Morta” e “Os Retirantes”, em 1944. A verdadeira face do brasileiro ficava evidente em obras como “O Lavrador de Café”, “O Mestiço”, “Índia e Mulata”. Havia beleza e leveza, nas artes de “Menino Plantando Bananeira”, “Menino no Balanço” e “Palhacinhos na Gangorra”. A história da colonização do Brasil descrita em “Algodão”, “Borracha” e “Cana”.

 

Cândido Torquato Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café, em Brodósqui, cidade próxima de Ribeirão Preto, interior paulista, sendo o segundo de 12 filhos que os pais, camponeses italianos, teriam. Giovan Battista Portinari – João Baptista Portinari – e Domenica Turcato – Domingas Torquato – eram cidadãos de Chiampo e Tezze sul Brenta, respectivamente, ambos municípios da província de Vicenza no Vêneto, região nordeste da Itália.

 

Com uma vocação bastante pertinente para as artes, Cândido teve pouco estudo e a história cita que ele não chegou nem a completar o primário. Aos 14 anos teve sua primeira experiência ao ser convidado a participar da restauração de igrejas junto a uma trupe de pintores e escultores italianos. Aos 16 anos, ele decide vir para o Rio de Janeiro e estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Aos 20 anos o artista já chamava atenção ao ser destaque nas colunas sociais dos jornais da cidade e ao tirar elogios de seus professores. Na mesma época, ele já participa de diversas exposições e um de seus maiores sonhos se realiza: ganhar a medalha de ouro do Salão da Escola Nacional de Belas-Artes (ENBA). Uma pequena adaptação para agradar aos juízes e voialà! Foram os traços mais tradicionais e talvez mais caretas, que tenham conquistado a banca examinadora. Além da tão sonhada medalha de ouro, Portinari ganha uma viagem para Paris, cidade onde viveu durante dois anos, entre 1926 e 1927.

 

A passagem do artista pela região foi essencial para o amadurecimento do seu talento e a consagração do seu estilo inconfundível. Lá ele conhece Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos, por quem se apaixona e vive até os últimos dias de sua vida. Em 1931, ele retorna ao Brasil com uma bagagem extensa e uma imensa vontade de abordar os problemas sociais vividos pela população brasileira através de suas obras de arte.

 

Portinari muda completamente a estética de sua obra e passa a valorizar mais as cores e a ideia das pinturas. Sua marca registrada, a tridimensionalidade, é deixada de lado e ele opta por telas pintadas a óleo e começa a se dedicar a murais e afrescos, técnica de pintura mural, executada sobre uma base de gesso ou nata de cal ainda úmida.

 

Três telas expostas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque em 1939 chamam a atenção de Alfred Barr, o diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Assim começa a década de 1940 de Portinari. Barr compra uma das telas, a “Morro do Rio” e a expõe ao lado de artistas consagrados mundialmente, o que gera um interesse geral pelo trabalho do artista brasileiro. Alfred prepara uma exposição exclusiva para Portinari em Nova Iorque e o artista faz dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington. Ao visitar o espaço, ele se impressiona com a obra “Guernica” de Pablo Picasso, o que faz com que seu estilo mude novamente.

 

Sua maior conquista, por assim dizer, pode ter vindo em 1952, quando já bastante conhecido por suas obras e trajetória, foi desafiado e aceitou o convite da Organização das Nações Unidas (ONU). Cândido precisava elaborar dois painéis que seriam permanentemente expostos no gigantesco hall de entrada do edifício-sede da ONU, em Nova York, e ao mestre, ele caberia sugerir o tema da obra. Sete anos após passar pelo mais terrível conflito bélico da história, ele foi cirúrgico em sua indicação e a obra “Guerra e paz” foi aceita sem restrições.

 

Um enorme galpão da extinta TV Tupi, no Rio de Janeiro, testemunhou os 180 esboços que foram feitos para os dois murais de 140 metros cada um. A inauguração aconteceu no dia 6 de setembro de 1957 em meio a uma singela cerimônia, sem a presença do artista.

 

De volta ao Brasil após uma anistia geral em 1952, a 1° Bienal de São Paulo expõe obras do artista dando destaque em uma sala particular. Mas a década de 50 para o artista não seria fácil. Em 1954, Cândido Portinari apresenta uma grave intoxicação pelo chumbo presente nas tintas que usava, doença conhecida como saturnismo.

 

Mesmo com sintomas severos, Portinari, desobedecendo ordens médicas, seguia pintando e viajando com frequência para Europa e países como Estados Unidos e Israel e Europa. Portinari continuava pintando e viajando com frequência para exposições nos Estados Unidos, Europa e Israel. No início do ano de 1962, o artista se preparava para uma exposição de 200 telas em Barcelona, na Espanha, à convite da prefeitura da cidade, mas no mesmo ano, no dia 6 de fevereiro, Portinari morre devido aos efeitos da intoxicação pelas tintas que utilizava nas telas.

 

Em sua certidão de óbito constam as informações de que Portinari sofreu de “hemorragia cerebral devido à intoxicação por sais pesados”. O ato do óbito do pintor foi registrado no livro c-240, às folhas 128v, sob o nº 69694, no dia 7 de fevereiro de 1962. Ele era desquitado de Maria Victoria Portinari, deixou um filho maior de nome João Cândido Portinari. Não constam informações de que ele tenha deixado bens ou testamento.

 

O artista faleceu na Casa de Saúde São José e foi sepultado no Cemitério de São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/RJ

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