Home / Comunicação

Notícias

Home / Comunicação

Notícias

Clipping – G1 – RJ tem em 2020 e 2021 os menores registros de nascimentos da série histórica dos cartórios

Compartilhe está notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Para associação, baixa está relacionada à pandemia. Além da queda nos nascimentos, dados inéditos mostram que os reconhecimentos de paternidade caíram 20% em 2021 em relação a 2020.

Por Filipe Brasil*, g1 Rio

 

05/04/2022 06h00 Atualizado há 3 horas

 

Em 2020 e 2021, o Estado do Rio teve os menores registros de nascimentos desde 2003, primeiro ano da série histórica dos Cartórios de Registro Civil do estado.

 

Em 2020, foram 196.475 nascimentos e em 2021, 192.835. Desde 2016, o número de nascidos era de pelo menos 212 mil.

 

Veja os números dos últimos 6 anos:

 

2016 – 226.632
2017 – 222.414
2018 – 224.968
2019 – 212.332
2020 – 196.475
2021 – 192.835

 

No período de pandemia, quatro meses chegaram a ter mais mortes do que nascimentos. Em maio de 2020, por exemplo, foram 3.335 óbitos a mais do que nascimentos no estado.

 

De acordo com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), a queda nos nascimentos está diretamente ligada à Covid e aos possíveis riscos da doença para mulheres grávidas, além da incerteza geral causada pela crise sanitária.

 

A Arpen é a organização que reúne os dados de nascimentos, casamentos e óbitos registrados nos 168 Cartórios de Registro Civil do Rio de Janeiro.

 

A mesma queda no número de nascimentos foi identificada no âmbito nacional. Nos dois anos de pandemia, o Brasil teve os menores números de nascimentos desde o início da série histórica dos cartórios, em 2003. Foram 2.644.562 registros em 2020 e 2.642.261 em 2021.

 

Causas e efeitos da queda

O g1 ouviu psicólogos para entender as possíveis razões deste fenômeno. Para a psicóloga e psicoterapeuta Fani Kaufman, o período da pandemia demandou alterações muito grandes na rotina das pessoas, o que pode ter feito com que elas deixassem a ideia de ter filhos em segundo plano.

 

“Todos nós ficamos muito inseguros em relação ao que iria acontecer e muitas vezes a gravidez é algo opcional, então as pessoas devem ter decidido esperar”, afirma a analista.

 

A profissional também levantou outras hipóteses para a queda:

 

as gravidezes casuais, de pessoas que se relacionam logo depois de se conhecerem em uma festa, deixaram de acontecer por causa do distanciamento; a própria ida a um hospital no período de auge da pandemia era algo delicado; a preocupação com familiares e conhecidos internados com a doença pode ter afastado os planos de ter mais um membro na família; como muitos perderam o emprego no período, as condições para criar mais um filho pioraram.

“Parece que ficou mais difícil as pessoas quererem introduzir um novo elemento em um momento que era tudo muito novo e assustador”, completou a psicóloga. Para a psicóloga clínica Livia Bione, é um fenômeno que evidencia como as mulheres foram afetadas pelas mudanças radicais trazidas pela pandemia.

 

“Consideradas as cuidadoras evidentes, as mulheres estiveram ainda mais sobrecarregadas com a pandemia. Elas precisaram assumir as demandas de cuidados em suas famílias em tempos da dispensa de empregados domésticos e do fechamento de escolas e creches”, afirma a psicóloga. Ela adiciona que a combinação da perda do trabalho de cuidado remunerado (empregados, babás e creches), associada à recomendação do isolamento social, sobrecarregou diretamente a vida das mulheres, que teriam se tornado menos propensas à maternidade nesse período.

 

Em termos de consequências, de acordo com o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Ruy Moreira, em 20 anos, a queda nos nascimentos pode afetar a oferta de mão de obra no estado.

 

Ele explica que, no curto prazo, o impacto acontece na base da pirâmide etária, na idade de 0 a 5 anos, mas com o passar do tempo, essa redução acompanha essa faixa de idade e daqui a 20 anos, por exemplo, deve afetar o volume de pessoas em idade economicamente ativa.

 

“Quanto maior tenha sido o grau de queda da natalidade, maior o efeito na oferta de força de trabalho dessa camada daqui a 20, 25 anos”, diz o professor do departamento de pós-graduação da UFF.

 

“Se no longo prazo, estivermos em uma situação de expansão econômica e a oferta de empregos subir, essa queda no número pessoas no mercado pode até gerar melhora nos salários e nas condições de trabalho. Mas vai depender da situação econômica, se estivermos em período de retração, esse efeito se anularia”, afirma o geógrafo.

 

Em relação aos efeitos demográficos da pandemia, o professor Ruy Moreira apontou ainda os efeitos prejudiciais da maior mortalidade entre idosos.

 

“Como podemos ver, na redução da natalidade, as consequências são socioeconômicas, enquanto a alta mortalidade dos idosos pela Covid tem efeitos socioemocionais, sobre a configuração familiar, sobre o papel dos idosos na formação e educação das crianças e também do apoio no cuidado dos filhos em casa, que permite que muitos pais saírem para trabalhar”, afirma o professor.

 

*Estagiário supervisionado por João Ricardo Gonçalves

 

Fonte: G1

Compartilhe está notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin