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Leila Diniz: Uma das grandes mulheres que marcaram a história do Rio

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A moça de espírito livre, inimiga declarada da ditadura militar, completa 50 anos de falecida em 2022

 

Também, pudera. Dona de um jeito polêmico, daquelas pessoas que não tem papas na língua e não aceitam facilmente qualquer resposta. De perfil argumentativo e questionador, a niteroiense que ganhou o mundo e triunfou tão rapidamente lutou a favor do uso de biquinis pequenos nas areias de Itacoatiara (e por que não, cariocas), a favor da liberdade sexual e gerou inúmeras polêmicas, sendo alvo da polícia que atuava na época da ditadura militar no Rio.

 

Com seus trejeitos livres e sinceros, Leila teve uma carreira efêmera. Nascida em março de 1945, era filha de um banqueiro e de uma professora de educação física. Depois de deixar a casa dos pais para morar com os avós, já dando indícios de ter uma personalidade de espírito livre, começou a trabalhar aos 15 anos como professora em uma escola dando aula para o jardim de infância. Este anonimato durou pouco tempo. Tempo suficiente para que ela começasse e tivesse um curto relacionamento com o cineasta Domingos de Oliveira, aos 17 anos, apenas. 

 

Casados por três anos, a vivência com Domingos abriu muitas portas para Leila, nascida já com uma beleza estonteante e fascinante. Mas ela iniciou na carreira artística aos poucos, fazendo pequenos papéis em peças de teatro infantil e também como modelo. Embora tenha atuado em 14 filmes, 12 novelas e diversas peças de teatro, o papel mais importante de Leila foi se tornar um símbolo da emancipação feminina nos anos 1960, com uma importância cultural inegável.

 

Em termos de carreira, Leila atuou como corista em um show de Carlos Machado e, pouco depois, contracenou com Cacilda Becker em 1964, na peça “O Preço de um Homem”. Em meio a esse início fervoroso, chega ao fim seu casamento com Domingos, foi quando ela passou a ser chamada para atuar em papéis menores em produções da TV Globo.

 

Ela também teve papéis significativos na TV Excelsior e na TV Tupi, além de ter marcado presença como modelo de propaganda de marcas como Coca-Cola e produtos como sabonetes e creme dental. Uma das passagens memoráveis que ligam a personalidade de Leila Diniz à quebra de tabus durante uma época de grande repressão no Brasil foi sua participação em uma entrevista ao periódico Pasquim. Na ocasião, Leila falou palavrões, abriu detalhes de sua intimidade e falou abertamente sobre sua visão de liberdade e de descontento com a censura imposta pelo governo da época.

 

Após o episódio, desempregada e perseguida pela ditadura, Leila precisou se exilar no sítio de Flávio Cavalcanti, seu grande amigo na época, que a convidou para ser jurada em seu programa na TV Tupi. Tempo depois, Leila reabilitou o Teatro de Revista, e deu início à sua carreira de vedete. Chegou a ser aclamada por Virgínia Lane, que lhe deu o título de Rainha das Vedetes e, posteriormente, Rainha da Banda de Ipanema em 1971, uma das mais tradicionais bandas LGBTQIA+ que desfilam no carnaval carioca todos os anos.

 

“Está acontecendo uma coisa estra…” 

 

De forma repentina e trágica, Leila Diniz faleceu em um acidente avião que não deixou sobreviventes, em julho de 1972, aos 27 anos, quando voltava da Austrália, onde tinha recebido um prêmio durante o festival de cinema de Melbourne.

 

Registros em matérias e reportagens falam em uma curiosidade perturbadora. O cunhado de Leila na época, esteve no local do acidente buscando informações e também para cuidar dos itens pessoais e restos mortais da atriz. Neste momento, ele teria encontrado um diário que seria de Leila, onde estaria escrito: “Está acontecendo uma coisa estra..”, sem que a frase estivesse terminada.

 

Tudo indica que Leila estaria escrevendo no diário no momento em que a pane no avião começou. Mais curioso ainda, Leila não era para estar naquele avião. Ela antecipou sua volta por saudades da filha Janaína, na época com apenas sete meses, fruto de seu relacionamento com o moçambicano Ruy Guerra.

 

Após sua morte, o casal Marieta Severo e Chico Buarque, ambos muito próximos de Leila, estiveram cuidando da filha até que o pai tivesse condições de assumi-la. Leila Diniz é hoje uma das grandes estrelas lembradas por Niterói, cidade em que nasceu e foi registrada, mais especificamente no Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais – 1ª Zona Judiciária, que tem como oficial a registradora Estela da Silva Barros. Leila foi registrada no Livro 112 A, FLS. 51V, Termo 27093, do ano de 1945.

 

No registro de nascimento de Leila constam detalhes como os nomes de seus avós de primeira filiação: Dario de Castro Diniz e Carlota Sampaio Diniz; e os de segunda filiação: Candido de Almeida Roque e Leopoldina Sarmento Roque. Também consta em sua certidão a averbação de sua emancipação aos 18 anos, lavrada em 1963 nas Folhas 100 Vº do livro 409 do Cartório 19º Ofício do Estado da Guanabara, quando a cidade do Rio ainda era o Estado da Guanabara.

 

Em homenagem à sua carreira e contribuição, ainda que precoce para a sociedade, seu nome estampa a Sala de Cultura Leila Diniz, localizada no centro do município, e leva também à Medalha Leila Diniz, promovida pela Câmara Municipal de Niterói.   

 

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/RJ

 

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