Home / Comunicação

Notícias

Home / Comunicação

Notícias

Revista Crescer – Escolha do nome do bebê: o que influencia os pais de hoje na hora de tomar essa grande decisão

Compartilhe está notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Da ideia na cabeça dos pais ao cartório, investigamos todos os passos que envolvem a escolha do nome do bebê. Confira.

 

Existem muitos caminhos para o nome de um filho chegar até os pais. Às vezes, surge num sonho, em outras é sugerido pelo irmão ou inspirado numa novela. Para a advogada Marina Fellegara, 39 anos, veio na forma de um outdoor gigante em uma movimentada avenida. Não tinha como ignorar.

 

Quando a segunda filha, hoje com 4 anos, era apenas um plano, ela já tinha um nome na cabeça. Comentou com o companheiro e logo se tornou uma brincadeira, porque a nomenclatura aparecia onde quer que fossem: em lojas, adesivos, na TV… Mas o grande sinal veio mesmo na lua de mel. “Fomos para Dubai e, ao sair do aeroporto, havia um outdoor enorme, todo preto, apenas com a palavra ‘Flora’ escrita em branco. Ficamos nos olhando arrepiados e perguntamos: ‘Será que Flora está a caminho?’. E estava! Na viagem mesmo, fiz o teste e descobri que estava grávida”, conta Marina, emocionada.

 

Nem sempre o nome se apresenta de maneira tão clara assim. Por mais que os motivos variem, em comum, a decisão é carregada de sonhos e expectativas para aquela vida que está começando. “É uma escolha simbólica do que estamos projetando na criança que está por vir. Tem pessoas que pesquisam o significado, outras remetem a alguém importante ou desejam simbolizar a transição de gerações. Todos são fatores importantes, porque é a primeira decisão da posição materna e paterna, e isso já alimenta a relação com aquele filho”, explica a psicóloga Isabella Thomé, do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista (SP).

 

Desde a ideia na cabeça dos pais até a vivência do nome pelo filho, essa jornada passa por motivações, possíveis pressões, frustrações (“e se alguém roubar o nome do meu bebê?”) e até por questões práticas (“e se eu me arrepender?”). Mais do que um capricho, escolher como alguém vai se chamar é uma tarefa complexa. Por isso, reunimos um time de especialistas e de mães para entender os caminhos que compõem esse momento crucial da escolha e inspirar quem está passando por ele agora. Confira!

 

Por trás da escolha

 

Nesse primeiro instante, o nome diz mais sobre os pais do que sobre a nova vida que está chegando. “Tem muito da nossa bagagem pessoal, subjetiva, psíquica, que depositamos na criança. Criamos um bebê ideal, aquele que sonhamos, e o nome tem uma participação muito ativa nesse processo de construção”, explica a psicóloga Isabella. Contudo, não podemos esquecer que o filho será o bebê real, com suas particularidades, muitas vezes, diferentes das que imaginamos.

 

Por isso, embora carregada de boas intenções, a família precisa entender o quanto o nome influencia a vida desse indivíduo para além dos desejos dos pais. “É um ato de responsabilidade. Se os pais não tiverem esse bom senso, a criança já vai nascer com um apelido, não vai querer falar o nome e vai ser estigmatizada”, alerta Gustavo Fiscarelli, presidente da Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais).

 

O peso do diferente

 

Dar um nome original não é um problema, ainda mais se a família tiver um sobrenome comum no Brasil, como Silva ou Souza. Pode até ser útil para evitar homônimos. No entanto, é essencial considerar o impacto que uma opção “diferentona” é capaz de trazer.

 

A pesquisadora de onomástica (isto é, o estudo dos nomes próprios) Patricia Carvalhinhos, mestre e doutora em linguística e professora da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que é preciso pensar na vida da criança como um todo. Um nome com grafia ou sonoridade complicada pode gerar constrangimento, bullying, dificuldade na alfabetização, complicações de pronúncia ou obrigar a pessoa a ter que soletrá-lo a vida toda.

 

A influenciadora digital Dandara Ferreira, 27, levou tudo isso em consideração na hora de escolher Duarte – muito popular em Portugal, mas usado como sobrenome no Brasil – para o seu segundo filho. “Pensei, sim, sobre bullying e passamos um tempo repetindo o nome, simulando como seria esse tratamento no dia a dia e nunca observei nada que pudesse ser vexatório ou virar um apelido”, diz ela, contando que, até agora, nesses três anos do pequeno, nenhuma situação do tipo aconteceu. “Queria que meus filhos, assim como eu, tivessem essa sensação de exclusividade e de se orgulhar do nome”, explica Dandara.

 

Nome roubado

 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), temos mais de 130 mil opções de nomes no Brasil, sem contar os novos, que surgem a cada ano. Ainda assim, é possível que alguém conhecido escolha a mesma opção. Não faltam histórias sobre mães e pais que romperam com familiares ou amigos por causa disso.

 

Se acontecer por aí, cuidado para não deixar a chateação tomar conta da gravidez. A psicóloga Isabella, da Pro Matre, sugere um primeiro passo, que é validar a frustração e reconhecer que não podemos controlar as decisões alheias. Depois, vale se perguntar o porquê desse nome ser tão importante para você e ressignificá-lo. “Podemos trocar o nome ou, se realmente tem um peso, mantê-lo, independente da outra pessoa”, diz ela. Isso não significa que será fácil: “É quase como um luto de expectativa, e existe uma curva de elaboração que precisa ser feita”, diz.

 

Mas há situações como essa que unem ainda mais as famílias. Quando a publicitária Camila de Cássia Bastos Pagamisse, 43, contou que estava esperando Catarina, sua terceira filha, tomou um susto, porque, no dia anterior, um primo havia anunciado que seria pai de uma menina com o mesmo nome. E as coincidências não pararam por aí: as duas nasceram com menos de 24 horas de diferença!

 

A família optou por encarar tudo como ironia do destino e ninguém quis mudar o nome. “Na verdade, a gente deu até risada, porque com tanto nome de menina no mundo, escolhemos justamente Catarina, que nem comum é!”, diverte-se Camila, com a filha, de 4 anos, no colo.

 

Fortes tendências

 

Nos Estados Unidos, segundo a plataforma Nameberry, as listas de registros apontam para tendências inovadoras, como bebês chamados de cores (referências a tonalidades de azul, dourado e verde estão bombando!), nomes de deuses, além de personagens de séries famosas. Isso sem falar dos que simbolizam esperança e recomeço, como reflexo do pós-pandemia; os neutros, que vieram para ficar; e até mesmo fórmulas matemáticas que geram nomes! Ousado, não é mesmo?

 

No Brasil, há outro tipo de movimento. Na lista dos nomes mais registrados em 2022 no Portal da Transparência, notamos que algumas das tendências dos anos anteriores já se consolidaram. É o caso de opções curtinhas, como Theo e Liz, assim como compostos de inspiração retrô, como Maria Cecília.

 

Existem, ainda, aqueles considerados perenes, como Pedro, ou cíclicos, como Helena, que de tempos em tempos volta a ficar popular. Isso sem falar nas versões bíblicas, como Ravi e Noah, que se mantêm na lista dos mais queridos. Por outro lado, alguns modismos estão passando, como a prática de misturar o nome da mãe e do pai. Hoje, as grafias simples e sonoramente limpas estão mais em alta.

 

“A ascensão e queda de um nome estão vinculadas a um fator específico daquela época”, explica a professora Patrícia, da USP. É o caso de Jade, que explodiu por conta da novela O Clone e depois sumiu. “Ainda hoje, no Brasil, a questão da mídia influencia muito. Seja por empatia a um personagem ou por um famoso que nomeia o filho e automaticamente temos uma ‘leva’ desse nome”, conta Fiscarelli, da Arpen.

 

Quem sou eu no mundo

 

Outra movimentação interessante no universo dos nomes é que ele também passou a ser uma ferramenta para mostrar ao mundo a identidade e os valores de uma família. Para muitos pais dessa geração, há uma preocupação social embutida na seleção de nomenclaturas mais conscientes.

 

De acordo com a pesquisadora Patrícia, é o caso do boom dos nomes neutros, como Sol e Manu, que abarcam as questões de gênero, e os “globais”, como Ana e Leo, que podem ser entendidos em diversas línguas, contemplando famílias formadas por pais de nacionalidades distintas. A especialista observa, ainda, um movimento de resgate da ancestralidade, com nomes indígenas ou africanos também ganhando espaço.

 

Para a servidora pública Beatriz Crespo Dinis, 33, as questões de gênero importam muito. Por isso, quando soube que estava grávida de gêmeos, optou por não saber o sexo. “Não faria diferença, porque o sexo biológico não determina o gênero, que vai sendo construído ao longo da vida. Foi uma maneira de preservar valores em que eu acredito e também fazer as pessoas ao meu redor refletirem”, diz a mãe, que só descobriu que eram duas meninas na hora do nascimento.

 

Com a ajuda da família e amigos, Beatriz organizou uma enquete online. Os pais optaram por dois nomes fortes de mulheres, que agradaram à mãe feminista: Tarsila e Pilar, hoje com 9 meses. “A escolha do nome acompanha as mudanças sociais. Não necessariamente essa criança vai replicar a cultura familiar, mas isso favorece uma criação mais estruturada e respeitosa”, aponta a psicóloga Isabella.

 

Tradicionalismo

 

Na contramão da modernidade dos nomes neutros, os especialistas destacam a volta dos tradicionais. É o caso de Joaquim, João e Elisa, por exemplo, que constam na lista dos 50 mais registrados nos cartórios, em 2022.

 

“O Brasil é um país mais tradicional, de maioria cristã, com uma predominância ainda de nomes religiosos, então existe uma inclinação conservadora”, comenta Fiscarelli, da Arpen. Isso não quer dizer que não exista espaço para modismos, microtendências (que são mais restritas a um grupo) ou novas ondas. Vimos uma geração inteira de Enzos surgir e chegar à faculdade – e ainda se manter entre os preferidos.

 

Segundo a professora Patrícia, da USP, desde a colonização e a vinda de imigrantes (e agora de refugiados), novos aportes de nomes sempre chegam ao país. Faz parte da história de um povo, e é algo que está em constante alimentação por meio das trocas sociais, agora ainda mais rápidas e globalizadas.

 

Na dúvida…

 

Se você ainda não tiver escolhido o nome do recém-nascido após o parto, saiba que a decisão precisa ser breve. Quando a criança nasce, ela pode ser registrada pelos pais ou por responsáveis legais tanto no local do nascimento quanto na área de residência da família. Atualmente, existe o prazo de até 15 dias para isso, sem implicações legais ou multas. Vale lembrar que, sem o registro, a criança não existe para o Estado e não tem seus direitos garantidos.

 

Bateu um certo arrependimento? É mais comum do que você imagina. Nesse caso, uma lei recente (nº 14.382/2022) permite que haja uma alteração do nome sem burocracia. Nos 15 dias após o registro, ainda é possível mudá-lo sem precisar justificar ou obter autorização judicial. Basta levar a certidão de nascimento do bebê e os documentos dos pais (RG e CPF) ao cartório em que a criança foi registrada.

 

“Não é raro também o pai registrar a criança e, a despeito do acordo que tinha com a mãe, impor outro nome. Se depois a mãe se opuser e ambos concordarem na nova decisão, eles podem ir ao cartório e mudar”, conta Fiscarelli, da Arpen.

 

Se não houver consenso, o caso é encaminhado pelo cartório para um juiz, que será responsável pela decisão. No entanto, caso a criança ou a família decidam trocar novamente o nome dela, será preciso iniciar um processo judicial.

 

E se meu filho não gostar?

 

Pode mudar, sem problemas! Quase 11 mil brasileiros já mudaram de nome sem a necessidade de ações judiciais desde julho de 2022, quando a nova lei entrou em vigor. “Considerando o princípio da liberdade, da autonomia da vontade e da autodeterminação, a lei trouxe essa possibilidade de a pessoa, maior de 18 anos, poder alterar o seu prenome sem precisar justificar” conta Gustavo Fiscarelli, presidente da Arpen. Tenha em mente que a alteração só é possível uma única vez. Caso queira mudar novamente, é preciso entrar com um pedido jurídico. Além disso, é permitido excluir ou acrescentar um sobrenome a qualquer momento, desde que comprovado o vínculo. 

 

Fonte: Revista Crescer

 

Compartilhe está notícia

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin