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Tim Lopes – Um espírito jornalístico assassinado pela triste violência carioca

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Na lista dos 22 crimes que mais chocaram o país, a morte do jornalista completa 20 anos em 2022

 

Arcanjo, segundo a igreja católica, significa vem do grego “archaggelos”, palavra composta de “Archi”, um prefixo que significa “chefe” ou “superior”, e de “Aggelos”, que significa anjo. Anjo. Um anjo que foi brutalmente assassinado pela violência incontrolável e desenfreada oriunda do tráfico de drogas que assola cada vez mais o Rio de Janeiro.

 

 

Estamos falando de Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, o jornalista Tim Lopes, sequestrado e executado por traficantes dentro do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, em 2002. Completando 20 anos este ano, o acontecimento que chocou o país virou um marco, principalmente para os jornalistas que batalham diariamente para levar a melhor percepção da realidade, muitas vezes cruel e, exatamente por isso, renegada, aos olhos da sociedade e das autoridades.

 

 

Depoimentos de pessoas próximas, coletados durante a cobertura da imprensa na época do ocorrido para os noticiários, dão conta de que Tim Lopes tinha um espírito investigativo muito aguçado, inerente a qualquer jornalista que não se conforma com as mazelas facilmente encontradas a cada esquina de uma metrópole como a cidade do Rio. De forma infiltrada, justamente para denunciar o que estava errado, o jornalista utilizava disfarces para conhecer a dura vida de quem morava nas ruas, adentrava comunidades completamente tomadas por bandidos para registrar o crime organizado acontecendo em plena luz do dia, bem ali, em meio à rotina ordinária de moradores da favela, crianças, jovens, adultos, famílias. Inocentes, trabalhadores, batalhadores e traficantes de drogas, munidos de fuzis, dividindo o mesmo espaço, cada um vivendo dentro da sua realidade.

 

 

No dia 2 de junho de 2002, o jornalista foi deixado na comunidade da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio. Naquela noite Tim produziria uma reportagem investigativa para mostrar a exploração sexual de menores nos bailes funk e a livre circulação de traficantes para a venda de drogas que acontecia na favela. Até que em dado momento sua presença foi descoberta e bandidos locais o sequestraram e torturaram até a morte. Tim foi levado para a Favela da Grota, no Complexo do Alemão, queimado em uma fogueira e por isso, para confirmar sua identidade, foi preciso fazer um exame de DNA. Demorou uma semana até que fosse confirmada a morte do jornalista, e um mês para que sua ossada fosse encontrada, no Complexo do Alemão. Na época, a região era uma área comandada por um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro, Elias Maluco, investigado como mandante do crime, encontrado morto em 2020, na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

 

 

O óbito de Tim Lopes foi registrado do 6º Registro Civil de Pessoas Naturais do Rio de Janeiro, localizado no bairro do Tanque, em Jacarepaguá, Zona Oeste na cidade, sob o ato de número 72.677, no Livro 2SC 153, Folhas 077. Os restos mortais foram enterrados no cemitério São João Batista, em Botafogo.

 

 

Legado  

 

 

A morte de Tim Lopes fez com que um legado fosse “criado”, a Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Três meses depois de toda a comoção pela sua trágica morte, o jornalista Marcelo Beraba convidou 44 repórteres e editores de diferentes veículos e Estados brasileiros para se unirem à nova entidade. A Abraji foi fundada com o apoio de cerca de 140 jornalistas brasileiros.

 

 

Em entrevista, o jornalista comenta sobre o jornalismo e a necessidade de se ter e apoiar entidades que defendam os direitos dos profissionais da área. “A morte do Tim provocou fortes reações. Entre elas, a fundação da Abraji. Ela nasceu nas redações com o objetivo de melhorar a qualificação profissional, lutar por uma lei de transparência — que não existia —, defender as liberdades de expressão e de imprensa e a integridade dos jornalistas”, relembrou Marcelo Beraba.

 

 

História de vida  

 

 

O anjo Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento nasceu na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e era um dos mais notáveis jornalistas investigativos da TV Globo. Um ano antes de sua morte, Tim Lopes fez uma reportagem sobre o tráfico de drogas que ocorria a céu aberto nas favelas do Rio de Janeiro. Uma ironia do destino, a Favela da Grota era o pano de fundo para a sua grande reportagem, local onde ele foi brutalmente assassinado. A série intitulada “Feira das Drogas” foi exibida pelo Jornal Nacional em agosto de 2001 e ganhou o Prêmio Esso de Telejornalismo e o Prêmio Líbero Badaró. Tim completava exatos 30 anos de carreira em 2002, quando sua vida foi ceifada pela violência desenfreada e desordenada do Rio de Janeiro.

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação – Arpen/RJ

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